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Archive for the ‘Artigos’ Category

 imagem tirada do Google (https://peregrinacultural.wordpress.com)

Sei lá…
Podem me chamar de chato, de maluco, de qualquer coisa, mas acredito em sinais. Na verdade segui muitos sinais minha vida toda. Acho que o universo conversa com a gente através desses pequenos detalhes a acontecimentos que alguns conseguem interpretar e outros podem nem acreditar.
Quando o Brasil fez o primeiro GOL CONTRA no primeiro jogo da Copa, pra mim já ficou bem claro que foi um sinal de que algo não terminaria como o esperado. Cheguei a escrever aqui no Facebook – “Isso é um sinal…” – e na paixão… muitas pessoas me xingaram, me ofenderam e perderam a noção do bom senso.
Achavam que estava falando de FUTEBOL.
Para começo de conversa, o Brasil deveria antes de querer fazer um grande evento como esse, ter estrutura mínima para atender bem sua população.
O que quero dizer é que não se pode condicionar as melhorias FUNDAMENTAIS para o cidadão Brasileiro a LEGADOS deixados por Copas ou Olimpíadas. Esses acontecimentos podem impulsionar nosso país, mas não podem ser o pilar das transformações.
Antes de fazermos para quem vem de fora, temos que fazer para nosso povo. Porque no fim das contas, somos nós que pagamos tudo isso. E como nunca é feito de forma clara e honesta, o preço é muito alto.
Quando algo como uma Copa do Mundo acontece, fica claro que existem recursos, existe “vontade política” e até organização para que as coisas ocorram bem.
Então:
POR QUE OS GOVERNOS NÃO FAZEM ISSO POR NÓS?
POR QUE SEMPRE É FEITO PARA RECEBER QUEM VEM DE FORA?
POR QUE não se pensa em melhorias que atendam a TODOS e não somente as áreas onde os eventos acontecerão?

Essas foram as perguntas que sempre me afastaram dessa celebração quase que OBRIGATÓRIA. Por alguns dias eu me senti quase que OBRIGADO a torcer pela seleção. E por não conseguir desvincular uma coisa da outra ( Futebol da política ) ficou complicado me divertir – embora estivesse achando bonito o grande encontro global no Brasil.
Você pode dizer – mas futebol não tem nada a ver com política.
Então te pergunto: Não?
E nós teríamos todas estas obras ( muitas inacabadas, outras muitas super-faturadas, outras muitas MAL FEITAS ) se não fosse pelo EVENTO RELACIONADO AO FUTEBOL?
Como se desvincula isso, me expliquem?
Pois bem, voltando aos sinais – e isso não tem NADA A VER em o quão mal ou bem a seleção estivesse jogando, quando caiu o Viaduto em BH e matou aquelas pessoas e feriu tantas outras… já me deixou a sensação de que o universo estava novamente mandando um aviso. VOCÊS ESTÃO FAZENDO AS COISAS DO JEITO ERRADO.
Não pode ser BANAL o desabamento de um viaduto numa cidade que está recebendo JOGOS IMPORTANTES e todo mundo fingir que nada aconteceu. Nem o “1 MINUTO DE SILÊNCIO” foi feito para lembrar as vítimas. Talvez para não estragar ou não despertar a população para esta VERGONHA – isso sim, uma grande VERGONHA.
Depois o principal jogador do Brasil, que é um excelente menino, acaba sendo ferido de forma grotesca ( o que faz parte do jogo, assim como o Gol contra ) e não pode mais jogar. Maus sinais.

Por fim amigos, se tomar uma GOLEADA DE 7 dentro da sua própria casa e ter sua seleção HUMILHADA não signifique um GRANDE SINAL de que estamos todos embriagados de ilusões e de que precisamos DESPERTAR URGENTE DO COMA INDUZIDO, não sei mais o que pode significar todas essas ligações.
A sensação que me dá, e volto a dizer – vocês podem me chamar de MALUCO – é que o UNIVERSO ESTÁ DIZENDO – “PAREM DE ACHAR QUE VOCÊS SÃO O PAÍS DO FUTEBOL E QUE ESSA SEJA A PRIORIDADE NA VIDA DE VOCÊS”

Este post não é um ataque aos torcedores e também não é um ATAQUE ao Governo Federal – porque se fosse o PSDB, o DEM, o PMDB, O PQP – eu estaria dizendo a mesma coisa. Até porque o Governo Federal não fez a Copa sozinha – em cada cidade existe um administração responsável por fazer acontecer suas obras e suas organizações locais.

O que este post quer dizer é o seguinte:
ACORDEM!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Nós podemos amar futebol, torcer pelos nossos times de coração, acompanhar todos os jogos, mas não podemos mais achar que só isso seja o suficiente para que tenhamos alguma alegria.
“Nosso povo já sofre tanto, deixem eles curtirem o futebol em paz”
Dizem…
Pois bem…
Nosso povo já sofre tanto, então porque não tentamos mudar isso e oferecer a população condições dignas para que tenham alegrias com suas vidas cotidianas. Não ficando dias, meses, anos, em filas de hospitais. Não deixando as crianças fora das escolas – por falta de incentivo ou de condições de recebê-las. Não temendo sair na esquina porque não há segurança para ninguém. Não precisando pegar transportes públicos de péssima qualidade, lOTADOS para chegarmos aos nossos trabalhos. E mais tantos outros inúmeros problemas que parecem que já nos acostumamos – “Sempre foi assim”.

Gente – O UNIVERSO ESTÁ DANDO UM RECADO – Vamos despertar. Vamos entender que não dá para fazer tudo nas coxas como vem sendo feito há tantos séculos nesse país.
O que melhoramos nestes últimos 12 anos NÃO FOI MAIS DO QUE OBRIGAÇÃO. Se o GOVERNO SERÁ MANTIDO OU TROCADO – pouco importa – SE NÓS NÃO ACORDARMOS PARA NOSSAS RESPONSABILIDADES.
Pode colocar quem for no poder – que se o POVO não estiver atento e ciente de suas responsabilidades, NADA MUDARÁ.

A MAIOR VERGONHA NÃO É PERDER NO FUTEBOL.
A MAIOR VERGONHA É TERMOS UM PAÍS TÃO RICO, TÃO LINDO, COM TANTO POTENCIAL e um povo conivente com tantas patifarias, muitas vezes praticando também algumas delas sem perceber que isso é uma variável que nos atrasa.

“Eu não queria te dizer mas eu vou ter que te falar, tu é esperto mas tá sendo passado para trás e pode ser que quando tu percebas isso lá na frente – JÁ SEJA TARDE DEMAIS”

O DESPERTADOR TOCOU.
Não seja patriota só por sua seleção de futebol. VISTA A CAMISA DO BRASIL E USE A BANDEIRA COMO FONTE DE INSPIRAÇÃO todos os dias – para produzir, melhorar, transformar esse país.
Assim, quando nossa seleção perder por ventura um campeonato, nós possamos nos orgulhar de termos um país digno de se viver.

OS SINAIS….

 

 

Tico Santa Cruz

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O MILAGRE DA SOLIDÃO

Olavo de Carvalho

Lima Barreto foi, com Cruz e Sousa e Machado de Assis, um dos meus heróis carlylianos de juventude — "the hero as man of letters" —, o tipo do sujeito que pela força da auto-educação se eleva acima do meio opressivamente burro e se torna um educador de seus opressores.

Que os três fossem pretos era coisa que não me comovia especialmente. A discriminação que você sofre como parte de um grupo tem sempre o contrapeso da solidariedade entre a multidão de coitados: quanto mais o expelem de um grupo, tanto mais você se sente integrado no outro, e sempre resta a esperança coletiva de que os oprimidos de hoje sejam os opressores de amanhã. Ruim, mesmo, é a discriminação que você sofre sozinho, sem o consolo da palavra "nós" e das ideologias salvadoras, rejeitado, graças ao estigma da diferença, mesmo pelos seus companheiros de raça, de religião, de bairro, de geração. Aí você não tem para onde correr. Você é o próprio Cristo na cruz, abandonado por todos, desprovido de semelhantes. Nenhuma ONG vai fazer lobby em seu favor, nenhuma assembléia da Unesco vai denunciar que você é vítima de uma grossa sacanagem, a rainha da Inglaterra não vai estipendiar nenhuma fundação para socorrê-lo, nenhum editorial do The New York Times vai dizer que você é lindo e maravilhoso como o João Pedro Stédile. Para todos os efeitos, você está excluído até mesmo da classe dos dscriminados. Você é aquela mancha de meio milímetro no canto de uma foto do Sebastião Salgado.
Só o sujeito que passou por essa situação sabe que existe, no mundo, um tipo de mal que supera tudo o que a mídia denuncia, e que pensando bem, é a raiz da porcaria universal.

Explico-me. O herói do primeiro romance de Lima Barreto, Recordações do Escrivão Isaías Caminha, não sofre somente porque é preto e pobre. Ele sofre porque é um sujeito honesto num meio de vigaristas, um autêntico homem de letras num meio de farsantes, um gentleman no meio de carreiristas vorazes e grosseiros. Enquanto preto e pobre, consolava-se olhando a multidão de seus companheiros de infortúnio. Mas quantos semelhantes teria ele nas qualidades excelsas que o destacavam e o isolavam? Quantos irmãos tinha Cristo na cruz? A parte de Isaías que mais dói não é sua inferioridade social: é sua superioridade moral.

Mas Isaías traz ainda a marca do ressentimento racial. Ao escrevê-lo, Lima Barreto sente-se ainda o membro de uma determinada comunidade excluída e fala em nome dela. O livro resvala às vezes para o desabafo direto e, quanto mais se aproxima de uma cópia literal da realidade empírica, mais perde em altitude. O próprio Isaías também é de pouca estatura: ele é melhor que os outros, não mais forte: débil e tímido, reduz-se a uma vítima passiva das circunstâncias, tudo se resolve numa horizontalidade deprimente e, como dizia Antonio Machado, "cuán dificil es/ cuando todo baja/ no bajar también"!

No romance seguinte, Lima Barreto abdica de toda referência a uma injustiça social presente. O major Quaresma não pertence a nenhum grupo discriminado.
Não tem nenhum handicap que o identifique a esta ou àquela multidão de vítimas. Ele é auto-suficiente na luta pela vida. É mais forte, mais inteligente e mais valente que seu antagonista, o presidente Floriano. Quaresma não é discriminado porque algo lhe falte, mas porque tem força de sobra e a generosidade de querer ajudar a seu povo. Este segundo herói de Lima Barreto adquire assim uma altitude que faltava a Isaías. Ele já não é o personagem de um mero drama social, mas o herói de uma tragédia. Segundo Aristóteles, é essencial que o herói trágico seja um homem poderoso e especial: fora disso suas desventuras assinalariam apenas uma conjunção acidental de circunstâncias, suprimível e sem o alcance de uma fatalidade cósmica inexplicável.

Mas a derrota do major ainda é parcialmente explicável. Ele é um gênio criativo, mas, convenhamos, suas idéias são bem esquisitas. Ele tem esse resíduo de fraqueza, a meia-loucura que o coloca a meio caminho entre o herói e o anti-herói. É por esse flanco que o inimigo consegue feri-lo. A morte de Quaresma nos deprime, mas não nos escandaliza como um absurdo completo. Há nela algo de razoável: o ideal do reformador era incompatível não só com o ambiente mesquinho da República florianista, mas com a reaidade tout court.
Esse último pretexto da injustiça é enfim abolido num romance seguinte de Lima Barreto, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá. Gonzaga é um Policarpo Quaresma sem demência, um Isaías sem o handicap da juventude e da timidez. É um grande homem em toda a extensão da palavra — e sua vida termina no isolamento e na resignação, mas não na derrota. Solitário entre seus livros, o sábio desenganado observa o mundo com um olhar sem ressentimento nem sentimentalismo, cheio de uma compreensão serena que lembra, por mais de um aspecto, a do conselheiro Aires, mas livre daquele resíduo de negativismo schopenhaueriano que foi até o fim a marca registrada de Machado de Assis.

A trilogia barretiana mostra-nos a evolução do ideal do humano do grande escritor, retratada na gradação espiritual dos heróis: o jovem talentoso esmagado pelo mundo, o combatente exaltado e semilouco, o sábio estóico soberano e calmo que permanece de pé enquanto o mundo em torno cai. De personagem a personagem, há uma progressiva depuração e interiorização do ideal, que vai se afastando da situação empírica imediata para se tornar cada vez mais universalmente humano e, na mesma medida, se desliga de todo ressentimento coletivo para encontrar o sentido de uma vida não na vingança, mas no perdão.

O perdão, aqui, não deve ser entendido na acepção beata e sentimental, mas no sentido etimoçógico de per-donare, completar o dom: o mundo não nos persegue porque é mais forte que nós, mas porque é mais fraco. Ele nos persegue porque algo lhe falta: a sabedoria. Como no verso de Santayana: "O world, thou choosest not the better part!" . Ao superar o ressentimento coletivo, o sábio "escolhe a melhor parte" e é o único que, no fim das contas, é rico o bastante para ter o que dar. Gonzaga não é verdadeiramente derrotado. Expelido do mundo, prossegue a busca da verdade, sempre disposto a compartilhá-la com o discípulo que o procure. "The hero as man of letters": o oprimido tornou-se educador do mundo opressor.

Juntas, as três obras maiores de Lima Barreto formam um poderoso Bildungsroman — o romance da vitória de uma alma sobre si mesma e, por meio disto, sobre o mundo(*).

A transfiguração do oprimido em benfeitor é um milagre que se repete incessantemente na história. Raramente houve um sábio, um santo, um mestre cujos prodígios de generosidade não brotassem dos extremos de discriminação e solidão padecidos na infância, vencidos e superados pela alquimia da maturidade. É a mensagem final do Rei Lear: "Ripeness is all".

Mas isso só acontece àqueles que sofreram a discriminação sozinhos, sem ter uma raça, um partido, uma ideologia, uma ONG e fundações internacionais a que se agarrar. Quem tem essas coisas não precisa atravessar o caminho da ascese interior. Pode encontrar alívio e reconforto na ilusão de que o ódio dos vencidos é um sentimento moralmente superior ao orgulho dos vencedores. Pode escapar da solidão fundindo-se na massa vociferante dos comparnheiros de partido, sonhando morticínios justiceiros que serão, na sua cabecinha imunda, a apoteose do bem. Foi dessa ilusão sangrenta que a leitura da trilogia de Lima Barreto me libertou, mais de trinta anos atrás.

A diferença entre povo opressor e povo oprimido é apenas quesão de ocasião, e a "solidariedade com os primidos" é apenas o véu ideológico que bsuca embelezar e legitimar, de antemão, os massacres de amanhã. Esse reconforto "ético" é, no fundo, uma fuga da consciência: todo povo orpimido esconde os lances vergonhosos de sua própria história, para poder acreditar-se melhor que os opressores. Não há um só movimento de libertação e de direitos que não se funde nessa mentira essencial, em que se afiam os espetos de futuros holocaustos. Durante um milênio faraós negros arrancaram sangue do lombo semita, para terminar sendo vendidos como escravos e hoje tentar comover o mundo com seu discurso contra os judeus comerciantes de escravos. Os alemães encontraram na humilhação coletiva a inspiração para perseguir os judeus, e a fumaça do holocausto ainda santifica o fuzil isralense a cada tiro que dispara sobre um palestino armado de pedras.

Reihold Niebuhr assinalava a diferença de nível ético, estrutural e intransponível, entre o indivíduo e a comunidade. Para o indivíduo, o sofrimento pode ser o princípio da sabedoria. Para a comunidade, é o motor da violência, que puxa o carro da história na direção da fornalha ardente em cuja beirada um cartaz anuncia: "Justiça e Paz". Em face disso, a serenidade de M. J. Gonzaga de Sá é a resposta final aos padecimentos do jovem Isaías Caminha, e o heroísmo semilouco de Policarpo é uma etapa, a ser vencida, no caminho do entendimento.
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(*) É a única obra desse gênero na nossa literatura, se descontarmos a novela de Guimarães Rosa A Hora e Vez de Augusto Matraga, a que o filme de Roberto Santos deu interpretação inversa, injetando-lhe aquela mistura de negativismo brasileiro e marxismo de botequim que torna a redenção de Matraga um gesto inútil por não se enquadrar, como ato isolado, na estratégia geral do Partido.

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O linguista Noam Chomsky elaborou a lista das "10 Estratégias de Manipulação “através dos media.


1. A estratégia da distracção. O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neuro-biologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público OCUPADO, OCUPADO, OCUPADO; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

2. Criar problemas e depois oferecer soluções. Esse método também é denominado "problema-reacção-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reacção no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: CRIAR UMA CRISE ECONÓMICA PARA FORÇAR A ACEITAÇÃO, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.

3. A estratégia da gradualidade. Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconómicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, PRIVATIZAÇÕES, PRECARIEDADE, FLEXIBILIDADE, DESEMPREGO EM MASSA, SALÁRIOS QUE JÁ NÃO ASSEGURAM INGRESSOS DECENTES, TANTAS MUDANÇAS que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4. A estratégia de diferir. Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como "dolorosa e desnecessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5. Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade. A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adoptar um tom infantilizante. Por quê? "Aí alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou ração também desprovida de um sentido crítico (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")".

6. Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão. Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos…

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeia entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade. Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9. Reforçar a autoculpabilidade. Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema económico, o indivíduo se autodesvaloriza e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua acção. E sem acção, não há revolução!

10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem. No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neuro-biologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento e avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.

*Linguista, filósofo e activista político norte-americano. Professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusett

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Conselhos do Jabor

 

“Não tenho objetivo de ‘revelar’ os segredos dos homens, mas, amigos, me desculpem, não se trata de quebrar nosso código de ética. Isso vai ajudar as mulheres a entenderem os homens e, enfim, pararem de tentar nos mudar com métodos ineficazes. Vou começar de sola. Se não estiver preparada nem continue a ler.
E digo com segurança: o que escrevo aqui se aplica a 99,9% dos homens brasileiros (sem medo de errar).

1º) NÃO EXISTE HOMEM FIEL.

Você já pode ter ouvido isso algumas vezes, mas afirmo com propriedade.
Não é desabafo. É palavra de homem que conhece muitos homens e que conhecem, por sua vez, muitas mulheres. Nenhum homem é fiel, mas pode estar fiel, ou porque está apaixonado, algo que não dura muito tempo (no máximo alguns meses – nem se iluda), ou porque está cercado por todos os lados (veremos adiante que não adianta cercá-lo, isso vai se voltar contra você).
A única exceção é o crente extremamente convicto. Se você quer um homem que seja fiel, procure um crente daqueles bitolados, mas agüente as outras conseqüências.

2º) NÃO DESANIME.

O homem é capaz de te trair e de te amar ao mesmo tempo. A traição do homem é hormonal, efêmera, para satisfazer a lascívia. Não é como a da mulher. Mulher tem que admirar para trair; ter algum envolvimento.
O homem só precisa de uma bunda. A mulher precisa de um motivo para trair, o homem precisa de uma mulher.

3º) NÃO FIQUE DESENCANTADA COM A VIDA POR ISSO.

A traição tem seu lado positivo. Até digo, é um mal necessário. O cara que fica cercado, sem trair, é infeliz no casamento, seu desempenho sexual diminui (isso mesmo, o desempenho com a esposa diminui), ele fica mal da cabeça. Entenda de uma vez por todas: homens e mulheres são diferentes. Se quiser alguém que pense como você, vire lésbica (várias já fizeram isso e deu certo), ou case com um veado enrustido que precisa de uma mulher para se enquadrar no modelo social.
Todo ser humano busca a felicidade, a realização. E a realização nada mais é do que a sensação de prazer (isso é química, está tudo no cérebro).
A mulher se realiza satisfazendo o desejo maternal, com a segurança de ter uma família estruturada e saudável, com um bom homem ao lado que a proteja e lhe dê carinho. O homem é mais voltado para a profissão e para a realização pessoal e a realização pessoal dele vem de diversas formas: pode vir com o sentimento de paternidade, com uma família estruturada, etc., mas nunca virá se não puder ter acesso a outras fêmeas e se não puder ter relativo sucesso na profissão.
Se você cercar seu homem (exemplo: mulher que é sócia do marido na empresa), o cara não dá um passo no dia-a-dia (sem ela). Você vai sufocá-lo de tal forma que ele pode até não ter espaço para lhe trair, mas o seu casamento vai durar pouco, ele vai ser gordo (vai buscar a fuga na comida) e vai ser pobre (por que não vai ter a cabeça tranqüila para se desenvolver profissionalmente).
Será um cara sem ambição e sem futuro e você também se prejudicará.

4º) NÃO TENTE MUDAR PARA SEU HOMEM SER FIEL. NÃO ADIANTA.

Silicone, curso de dança sensual, se vestir de enfermeira etc… nada disso vai adiantar. É lógico que quanto mais largada você for, menor a vontade do homem de ficar com você e maior as chances do divórcio. Se for perfeita adiantasse Julia Roberts não tinha casado três vezes.
Até Gisele Bundchen foi largada por Di Caprio; não é você que vai ser diferente (mas é bom não desanimar e sempre dar aquela malhadinha).
O segredo é dar espaço para o homem viajar nos seus desejos (na maioria das vezes, quando ele não está sufocado pela mulher ele nem chega a trair, fica só nas paqueras, troca de olhares). Finja que não sabe que ele dá umas pegadas por fora. Isso é o segredo para um bom casamento. Deixe ele se distrair, todos precisam de lazer.

5º) SE BUSCA O HOMEM PERFEITO, PODE CONTINUAR VENDO NOVELA DAS SEIS.

Eles não existem nesse conceito que você imagina.
Os homens perfeitos de hoje são aqueles bem desenvolvidos profissionalmente, que traem esporadicamente (uma vez a cada dois meses, por exemplo), mas que respeitam a mulher, ou seja, não gastam o dinheiro da família com amantes, não constituem outra família, não traem muitas vezes, não mantêm relações várias vezes com a mesma mulher (para não criar vínculos) e, sobretudo, são muito discretos: não deixam a esposa (e nem ninguém da sua relação, como amigas, familiares, etc., saberem).
Só, e somente só, um amigo ou outro DELE deve saber, faz parte do prazer do homem contar vantagem sexual.
Pegar e não falar para os amigos é pior do que não pegar.
As traições do homem perfeito geralmente são numa escapulida numa boate, ou com uma garota de programa (usando camisinha e sem fazer sexo oral nela), ou mesmo com uma mulher casada de passagem por sua cidade. O homem perfeito nunca trai com mulheres solteiras. Elas são causadoras de problemas.
Isso remete ao próximo tópico.

6º) ESSE TÓPICO NÃO É PARA AS ESPOSAS – É PARA AS SOLTEIRAS OU AMANTES.

Esqueçam de uma vez por todas esse negócio que homem não gosta de mulher fácil. Homem adora mulher fácil. Se ‘der’ de prima então, é o máximo. Todo homem sabe que não existe mulher santa. Se ela está se fazendo de difícil ele parte para outra. A oferta é muito maior do que a procura. O mercado ta cheio de mulher gostosa. O que homem não gosta é de mulher que liga no dia seguinte. Isso não é ser fácil, é ser problemática (mulher problema). Ou, como se diz na gíria, é pepino puro. O fato de você não ligar para o homem e ele gostar de você não quer dizer que foi por você se fazer de difícil, mas sim por não representar ameaça para ele.
Ele vai ficar com tanta simpatia que você pode até conseguir fisgá-lo e roubá-lo da mulher. Ele vai começar a se envolver sem perceber. Ele vai começar a te procurar. Se ele não te procurar era porque ele só queria aquilo mesmo. Parta para outro e deixe esse em standby. Não vá se vingar, você só piora a situação e não lucra nada com isso. Não se sinta usada, você também fez uso do corpo dele – faz parte do jogo; guarde como um momento bom de sua vida.

7º) 90% DOS HOMENS NÃO QUEREM NADA SÉRIO.

Os 10% restantes estão momentaneamente cansados da vida de balada ou estão ficando com má fama por não estarem casados ou enamorados; por isso procuram casamento. Portanto, são máximas as chances do homem mentir em quase tudo que te fala no primeiro encontro (ele só quer te comer, sempre).
Não seja idiota, aproveite o momento, finja que acredita que ele está apaixonado e dê logo para ele (e corra o risco de fisgá-lo) ou então nem saia com ele.
Fazer doce só agrava a situação, estamos em 2008 e não em 1958. Esqueça os conselhos da sua avó, os tempos são outros.

8º) PARA SER UMA BOA ESPOSA E PARA TER UM CASAMENTO PELO RESTO DA VIDA FAÇA O SEGUINTE:

Tente achar o homem perfeito do 5º item, dê espaço para ele. Não o sufoque. Ele precisa de um tempo para sua satisfação. Seja uma boa esposa, mantenha-se bonita, malhe, tenha uma profissão (não seja dona de casa), seja independente e mantenha o clima legal em casa. Nada de sufoco, de ‘conversar sobre a relação’, de ficar mexendo no celular dele, de ficar apertando o cerco, etc.
Você pode até criar ‘muros’ para ele, mas crie muros invisíveis e não muito altos. Se ele perceber ou ficar sem saída, vai sentir-se ameaçado e o casamento vai começar a ruir.

9º) E AS ÚLTIMAS DICAS:

Se você está revoltada por este artigo, aqui vão alguns conselhos:
Vá tomar uma água e volte para ler com o espírito desarmado.
Se revoltar quanto ao que está escrito não vai resolver nada em sua vida.
Acreditar que o que está aqui é mentira ou exagero pode ser uma boa técnica (iludir-se faz parte da vida, se você é dessas, boa sorte!).
Mas tudo é a pura verdade.
Esqueça as dicas de revistas femininas.
Seu marido/noivo/ namorado te ama, tenha certeza, senão não estaria com você, mas trair é como um remédio; um lubrificante para o motor do carro. Isso é científico, comprovado e imutável.
O homem que você deve buscar para ser feliz é o homem perfeito do item 5º.
Diferente disso ou é crente ou viado ou tem algum trauma (e na maioria dos casos vão ser pobres).
O que você procura pode ser impossível de achar, então, procure algo que pode achar e seja feliz ao invés de passar a vida inteira procurando algo indefectível que nunca vai encontrar.

Lembre-se sempre, você é a única fêmea do reino animal que dá para um macho sem estar no período fértil. O macho, pela sua característica, está sempre no período fértil, sempre pronto pra procriar. Homem trair é coisa natural e a natureza não muda!
Não queira se vingar da natureza traindo ou tentando ser igual ao homem, pois homens e mulheres não são iguais porque a natureza determinou assim. Homem não engravida e não amamenta. Mulher não broxa. Não se trata de justiça ou igualdade. É ASSIM E PRONTO! Os peixes nadam, as aves voam e as cobras rastejam. Não mude a natureza, aceite-a!
Espero ter ajudado em alguma coisa.

Arnaldo Jabor

Triste não? Machista!!…Bom, esta é a visão deles e…acho que é bem por aí!!!

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Não se deve levar a sério o que Lula diz. Fala pelos cotovelos, não raro pelos calcanhares, a exemplo da exortação para que militantes arrancassem materiais de adversários das ruas de São Bernardo. E não tem qualquer apreço pela coerência entre o que disse ontem, o que diz hoje e o que dirá amanhã. Muito menos pela verdade.

Sobre o mensalão, navegou entre o traído que de nada sabia ao humilde que pede desculpas à nação pelo escândalo que pegou de calças curtas os seus mais caros auxiliares. Daí, migrou para a fantasiosa versão do caixa 2, expressa em entrevista mais fantasiosa ainda, transmitida pelo Fantástico, da TV Globo, em julho de 2005, dois dias depois de ser gravada em Paris.

A esse enredo, Lula e sua turma penduraram adereços. A ênfase de que culpados seriam punidos “doa em quem doer” ecoou no vazio. A fala dura do ex-presidente do PT e hoje governador gaúcho Tarso Genro preconizando a refundação do partido deu lugar à de um Ricardo Berzoini (PT-SP): “A prioridade é reeleger o presidente Lula. Depois veremos isso (a apuração) com calma. E essa história do mensalão é uma ficção.”

E por aí foi. Mensalão virou algo que nunca existiu, com Lula assegurando que como ex se dedicaria integralmente a provar que tudo não passara de farsa, coisa da direita para derrubar o primeiro presidente operário. Algo, aliás, que a dócil oposição nem mesmo cogitou.

Se o transmudar dos fatos já era de admirável desfaçatez, o que se vê agora bate todos os recordes dessa categoria.

Antes de o julgamento começar, Lula mexeu vários pauzinhos ou toras inteiras. Tentou em vão convencer ministros pelo adiamento, manobra que veio à tona quando Gilmar Mendes denunciou a tentativa de coação. Instigou seu partido a conclamar o povo a ir às ruas, tarefa cumprida, pateticamente, pelo deputado Rui Falcão.

Julgamento em curso, constrangeu aliados para que assinassem nota de apoio a ele, contestada no seio dos mesmos partidos que a subscreveram. Do cineasta Luiz Carlos Barreto, amigo do réu José Dirceu, obteve carta aberta com 264 assinaturas da elite intelectual. Barreto batizou o documento como “filosófico doutrinário”. Seja lá o que isso quer dizer, não é nada filosófico, ou muito menos doutrinário, alertar o país para a presunção da inocência, como se a Suprema Corte não fosse capaz de enxergá-la.

Agora, com condenações se acumulando e a proximidade da análise dos crimes do núcleo petista, Lula já antecipou seu novíssimo truque: o julgamento só está acontecendo porque ele, Lula, combateu como ninguém a corrupção. “Se juntarem todos os presidentes da história do Brasil, vocês vão ver que eles não criaram instituições para combater a corrupção como nós criamos em oito anos. Sintam orgulho porque se tem uma coisa que fizemos, foi criar instrumentos para combater a corrupção.”

Mais desfaçatez, impossível.

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Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados… Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia.
Por muito pouco a madame que parece uma “lady” solta palavrões e berros que lembram as antigas “trabalhadoras do cais”… E o bem comportado executivo?
O “cavalheiro” se transforma numa “besta selvagem” no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar…
Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma “mala sem alça”. Aquela velha amiga uma “alça sem mala”, o emprego uma tortura, a escola uma chatice.
O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela.
Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado…
Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais.
Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus.
A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta.
Pergunte para alguém, que você saiba que é “ansioso demais” onde ele quer chegar?
Qual é a finalidade de sua vida?
Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta.
E você? Onde você quer chegar?
Está correndo tanto para quê?
Por quem?
Seu coração vai agüentar?
Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?
A empresa que você trabalha vai acabar?
As pessoas que você ama vão parar?
Será que você conseguiu ler até aqui?
Respire… Acalme-se…
O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia
vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência…

Arnaldo Jabor

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Blaine singing Michael Jackson?  Bug is going to loose his mind.  :)

ideia inicial era postar alguns trechos dos textos abaixo e comentá-los, mas acho que Amelia (nome fictício), a mãe do menino de seis anos apaixonado pelo Blaine de Glee, falou por si só, especialmente no terceiro texto. Então, hoje só teremos uma tradução aqui no Minoria é a Mãe. Os comentários eu deixo pra vocês.

Meu filho mais velho tem seis anos e está apaixonado pela primeira vez. Ele está apaixonado pelo Blaine de Glee.
Para quem não sabe, Blaine é um garoto… um garoto gay, namorado de um dos personagens principais, Kurt.
Não é um amor do tipo “ele acha o Blaine muito maneiro”. É do tipo de amor em que ele devaneia olhando para uma foto de Blaine por meia hora seguido por um ávido “ele é tão lindo”.

Ele adora o episódio em que os dois meninos se beijam. Meu filho chama as pessoas que estão em outros cômodos pra ter certeza de que não perderão “sua parte favorita”. Ele volta o video e assiste de novo… e obriga os outros a fazerem o mesmo, se achar que as pessoas não prestaram atenção suficiente.

Essa obsessão não preocupa a mim e a seu pai. Nós vivemos em uma vizinhança liberal, muitos de nossas amigos são gays e a ideia de ter um filho gay não é algo que nos preocupa. Nosso filho vai ser quem ele é, e amá-lo é nosso dever. Ponto final.

E também, ele tem seis anos. Crianças nessa idade ficam obcecadas com todo tipo de coisa. Isso pode não significar nada. Nós sempre brincamos que ou ele é gay ou nós temos a melhor chantagem na história da humanidade quando ele tiver 16 anos e for hétero. (Toma essa, fotos tomanho banho.)

E então, dia desses estávamos viajando para outra cidade ouvindo (é claro) o CD dos Warblers, e no meio da música Candles, meu filho, do banco de trás, fala:
“Mamãe, Kurt e Blaine são namorados.”
“São sim,” eu confirmo.
“Eles não gostam de beijar meninas. Eles só beijam meninos.”
“É verdade.”
“Mamãe, eles são iguais a mim.”
“Isso é ótimo, querido. Você sabe que eu te amo de qualquer forma?”
“Eu sei…” Eu podia ouví-lo rolando os olhos pra mim.
Quando chegamos em casa, eu contei da conversa para o pai dele, e nós simplesmente olhamos um nos olhos do outro por um momento. E então, sorrimos.
“Então se aos 16 anos ele quiser fazer o grande anúncio na mesa de jantar, poderemos dizer ‘Você disse isso pra gente quando tinha 6 anos. Passe as cenouras’ e ele ficará decepcionado por roubarmos o grande momento dramático dele’, meu marido diz rindo e me abraça.

Só o tempo dirá se meu filho é gay, mas se for, estou feliz que ele seja meu. Eu estou feliz que ele tenha nascido na nossa família. Uma família cheia de pessoas que o amarão e o aceitarão. Pessoas que jamais vão querer que ele mude. Com pais que não veem a hora de dançarem no casamento dele.
E eu tenho que admitir, Blaine seria realmente um genro fofo.


(postado em 15/08/11, original aqui)

via http://minoriaeamae.blogspot.com

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